segunda-feira, 21 de novembro de 2011

TV RECORD AGITA O CENÁRIO CULTURAL DE BURITI DOS MONTES

Durante os sete dias em que a equipe da TV RECORD esteve em solo buritiense, de 08 a 14 de novembro deste, realizando as gravações para sua grade de programas, tal como o “Domingo Espetacular”, houve um verdadeiro burburinho por parte da população local ávida em contribuir para o sucesso daquela missão jornalística.

As primeiras filmagens do dia 08 giraram em torno da vida do senhor Miguel Cecílio, morador do assentamento São Francisco, cuja vida profissional foi dedicada ao empreendimento agroindustrial da fazenda Nova Olinda, criada e gerenciada pelo eminente político piauiense General Jacob Manoel Gayoso e Almendra. Mesmo tendo menos de 10 dias de aula, Miguel, hoje com 104 anos, aprendeu a ler e escrever o que o credenciou a ser homem de confiança do general, fazendo as vezes de agrimensor ao calcular as terras que viriam a ser usadas para a agricultura. Também trabalhou na produção de cachaça e de rapadura, era ele quem sabia o ponto certo das dosagens.

De fato, há muito Cecílio não retornara ao parque industrial que tanto tempo de sua vida dedicou, estando hoje em ruínas. Por este motivo, vimos a emoção daquele amável e lúcido ancião ao se deparar com os maquinários desativados que outrora eram ligados e desligados por aquelas mãos calejadas. O ponto alto das gravações aconteceu no interior da casa grande, sede da fazenda Nova Olinda. Ali Cecílio almoçou com seus descendentes, filhos, netos e bisnetos e amigos de longas datas. Foi um momento especial que cativou até mesmo toda a equipe da TV RECORD capitaneada pelo renomado repórter Gérson de Souza.

No meio daquela ensolarada tarde, a comitiva jornalística deixou a comunidade Nova Olinda em direção à cidade de Buriti dos Montes onde pernoitaria para, na manhã seguinte, partir em direção ao grande cânion do rio Poty.  Assim foi feito, entretanto, antes de deixar aquela acolhedora cidade, houve tempo para o registro do tocador de folhas, o senhor Raimundo Caetano de Lira, capaz de interpretar várias músicas utilizando-se apenas de uma folhinha qualquer, sendo sua preferida a da fruta do conde.

Em seguida, tomou-se o rumo do cânion do rio Poty usando a rota pela entrada leste daquele Boqueirão, tendo o distrito de Ibiapaba, no município cearense de Crateús, como referência. Nosso objetivo era chegar à comunidade Bebedouro, local onde seria nosso acampamento base nos quatro dias seguintes. Para tanto, cruzamos as comunidades de Oiticica, Curral de Pedra, com direito para um set de filmagens no belíssimo poço de São Bento.
Como chegamos cedo da tarde, foi possível armar as barracas e ter o primeiro contato com o grande líder daquele povoado, o senhor Chico Perez, uma das pautas anteriormente definidas.

O Bebedouro é uma comunidade situada às margens do rio Poty e tem a beleza pictórica comum a todos os rincões por onde o rio Poty singra a serra da Ibiapaba e os seus contrafortes, aonde o por do sol nos brinda com uma luz a dourar as chapadas que se espraiam até o infinito. A tudo isto se some a espetacular aparição da lua cheia a nos apaixonar ainda mais a cada dia ali permanecido.

Na quinta-feira, visitamos um grupo de extrativista no corte da palha de carnaúba (Copernicia prunifera), uma inédita matéria jornalística dessa atividade econômica que tem grande importância para a sobrevivência do sertanejo, visto que no período mais seco do ano, quando não há produção agrícola, levas e levas de homens deixam suas casas e passam de um a três meses a viver em ranchos improvisados no entorno das matas de carnaubal. Tal cadeia produtiva que começa com o corte da palha, depois as transporta para as “Leiras”, lugares cercados que servem para as mesmas secaram, então, vem a da máquina que separa a folha do pó que as revestem, sendo este um produto de grande valor comercial devido às suas propriedades isolantes e lubrificantes. Com o pó armazenado em sacos, são levados aos atravessadores que os revendem às fábricas. Em seguida, na forma de cera, são exportadas para várias outras regiões do Brasil e diversos países do mundo.

Além da cobertura em si das etapas de produção, o que deu mais vigor àquela pauta foi o fato de termos alguns músicos dentre aqueles humildes trabalhadores rurais que deram um verdadeiro show de forró ao término das gravações. Como estávamos no lugar por nome Córregos, que ficava a poucos quilômetros do nosso acampamento base, rapidamente chegamos ao Bebedouro, depois de almoçarmos com os extrativistas.

Sexta-feira foi a vez da pauta sobre o coureiro e vaqueiro Zé Caboclo, morador da fazenda Espírito Santo, situada às margens do rio Poty, disposta á sombra da belíssima serra do Barreiro. Além de descrever o seu labor diário, o foco a ser documentado referiu-se ao sítio arqueológico “Poço da Bebidinha” em que gravuras rupestres de beleza inenarrável salpicam nas rochas negras que margeiam o afamado “rio dos Camarões” (Poty). 

Uma cena não sai de minha cabeça, a campina, a antiga casa da fazenda, as carnaúbas pontuando o cenário, tendo ao centro o Zé Caboclo e o repórter da RECORD Gérson de Souza, a cavalo, os dois, rumo aos desfiladeiros do Poty. Naquela manhã ensolarada tudo conspirava a favor para que as filmagens ocorressem da melhor forma possível. É, não há quem para lá acorra que não se deslumbre com tamanha riqueza natural e cultural unidas pelas forças humanas e celestiais.

Em um ambiente retro, estilo colonial, almoçamos sob a orientação de dona Francisca, mulher do Zé Caboclo, logo adiante, várias redes foram ofertadas pelos anfitriões para uma merecida “siesta”, na varanda frontal da fazenda, mesmo lugar que serve de oficina para o Zé Caboclo exercer sua arte em couro, produzindo peças da indumentária do vaqueiro. Como não há luz elétrica ali, todo o processo produtivo daquele artesão é igual ao que se fazia há séculos atrás.

Novamente, ao cair da tarde retornamos ao nosso acampamento base, como o sol ainda estava alto, deu tempo para que os expedicionários batessem uma bola juntamente com os habitantes do lugar. Em todos os dias que estivemos acampados no Bebedouro, houve tempo para visitarmos a comunidade Canabrava, momento em que fazíamos contatos e nos abastecíamos. Na sexta, fomos agraciados com um verdadeiro banquete oferecido pelo casal Silvani e Chicão, empresários canabravenses, com destaque para uma torta de milho deliciosa ao extremo.

No dia seguinte, sábado, a equipe da RECORD centrou suas atenções na vida e no cotidiano do mestre Chico Perez. O trabalho foi facilitado por este cidadão ser o patriarca e a referência daquele aconchegante povoado, onde estávamos instalados desde a última quarta-feira. Falar do Chico é fácil, já prá lá dos 80 anos, perdeu a visão desde anos atrás, mas não se abalou, atende a todos, sabe de tudo que se passa a sua volta, confecciona cordas e chicotes com a mesma primazia de antes.

Como praticamente todos no Bebedouro são parentes do Seu Chico, decidimos então, para coroar as filmagens, produzir um almoço ao ar livre onde filhos, netos, bisnetos, amigos, dentre outros, estavam presentes. Foi um arraso! Nada do que ali vivemos poderia ter existido não fosse à dedicação de dona Maria, do Toin, do Manelsinho, do Nenem e de todos que se esforçaram a fim de nos servir com todos os mimos possíveis.  

Difícil mesmo foi deixar o Bebedouro, fomos tão bem tratados que lágrimas de partida sugiram nos rostos de ambas as partes. Lá pelas 04h00min da tarde, os expedicionários tomaram o rumo da comunidade Conceição dos Marreiros, ponto de pernoite para, na manhã seguinte, adentrarmos no vertiginoso Cânion do rio Poty, aquele em especial conhecido por Canalão. A partir de então todos os cuidados com a produção local ficaram a cargo do diretor e professor da U.E Sebastião Marreiros Onésimo Lima, em companhia do amável Antônio Lero, seu irmão Manuel, dona Maria e por ai vai.

Como de costume quando ali vamos, usamos a estrutura do colégio local para o pernoite. E, quando todos já dormiam, chegaram o Sargento Sampaio e o Cabo Paulo, os quais fizeram o apoio da equipe no tocante ao rapel, bem como relativo aos primeiros socorros, o motorista da prefeitura de Buriti dos Montes, Camundo, os trouxe com segurança. Mais tarde ainda, chegaram de Castelo o coordenador de turismo daquele município, Robson Miguel, o contabilista Josué Mineiro, o fotógrafo Juscelino Reis e o motorista Cleantro.

Logo após o café, seguimos rumo ao nosso objetivo: Conhecer de perto as belezas do Canalão e a labuta dos pescadores que passam dias arranchados nas casas de pedra dispostas nas margens do rio. Logo no início da trilha dividimos o grupo, uma parte foi caminhando, margiando o cânion, juntamente com os animais de carga. Outra parte da expedição seguiu por dentro do canal, em dois botes e uma canoa. Tudo transcorreu dentro do programado, tendo a equipe de apoio em terra sempre a dar suporte ao grupo na água.
Entretanto, ao cair da tarde, por sugestão de um dos barqueiros decidimos buscar uma outra saliência na rocha (casa de pedra) para pernoitarmos. Assim foi feito, ocorre que naquele ponto escolhido não havia acesso para o grupo de apoio em terra. O que nos forçou a retornar rio acima para encontrar um caminho conhecido, fato este que atrasou as gravações noturnas e gerou certo desgaste da equipe como um todo. Pela força e coesão do grupo, aquele momento foi prontamente superado.

Na manhã seguinte deixamos o Canalão, fizemos um grande lanche na fazenda Enjeitado, oferecido pelo senhor Pedrosa e sua esposa. Naquele local os carros, bem como os motoristas estavam a nos esperar. Após as despedidas sinceras, seguimos caminho rumo à comunidade São João, local onde fechamos com “chave de ouro” a última pauta programada. Ali, praticamente todas as famílias trabalham com a arte em palha de carnaúba, fazem chapéus, cestas, centros de mesa dentre outros itens de forma esmerada e detalhista. Foi bonito de ver a exposição dos produtos, as senhoras e senhores artesãos reunidos no florido quintal de dona Célia a tecerem e cantarem juntos, foi tudo de bom!

Mais uma vez, um impecável almoço nos esperava para recuperar as forças gastas no dia anterior. Aqui, cabe uma nota de reconhecimento e agradecimento pelo apoio inestimável de toda a equipe da prefeitura de Buriti dos Montes, da secretária de saúde Ana Hilda Soares, da secretária de educação Lourdes da Silva Soares, da secretária de finanças Lourdes Soares, do senhor prefeito Francisco Soares, que não mediu esforços para propiciar toda a infra-estrutura necessária. No entanto, os grandes responsáveis pelo sucesso dessa empreitada foram o casal Gorretti Soares, secretária de meio ambiente e turismo, e seu marido Francisco do Monte, secretário de agricultura, que estiveram presentes em todas as etapas de gravação, sempre a suprir todas as demandas solicitadas.

Quanto à equipe da RECORD, que, além do “âncora” Gérson de Souza, contou com a produtora Fabíola Correa, com o cinegrafista Nilvan Nunes, o assistente de produção Paulo Gomes, só temos elogios pelo profissionalismo, pelo desprendimento e capacidade de adaptação às situações difíceis, que surgem naturalmente neste tipo de produção. Ressaltamos também, a participação prioritária do governo estado do Piauí, através de sua secretaria de comunicação, pela cessão dos dois veículos e dos dois excelentes motoristas Celso Franco e Valderi Lima com os quais formamos uma verdadeira família nestes 15 dias de convivência.

Obviamente, não é fácil alcançar este grau de realização, somente ocorre quando há uma convergência de interesses, quando a união se faz presente e o desejo de acertar se sobrepõe aos erros e falhas. No fim, fica uma enorme saudade e a vontade de refazer novamente a rota ancestral do cânion do rio Poty.


Benedito Rubens Luna de Azevedo
Coordenador Municipal de Turismo e Meio Ambiente da Prefeitura de Buriti dos Montes
Produtor local desta expedição jornalística

4 comentários:

  1. saudacões!!!
    A todos que participaram dessa matéria meus parabéns!!!!
    Mais eu queria saber que dia e em que progama irá passar a matéria que foi gravada? obrigado.

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  2. olá queria saber que dia irá ao ar a matéria gravada aqui no buriti?

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  3. meus parabéns!!! sou de buriti e gostaria de saber quando a matéria sera exibida. são lugares que ñ visitei ainda e seria uma oportunidade para desfrutar um pouco da beleza da minha terra querida;apesar da distancia....... obrigada.

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  4. QUANDO SAIR A DATA DE EXIBIÇÃO AVISAREMOS PELO BLOG, OS PRODUTORES NÃO MARCARAM DATA AINDA!

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